
Osteoporose acomete mais de cinco milhões de brasileiros
Considerada um grave problema de saúde pública e normalmente associada ao envelhecimento, a osteoporose (osso poroso) é um distúrbio caracterizado pela alteração da estrutura óssea que pode levar secundariamente às chamadas fraturas por fragilidade. "Apesar de estar associada à idade avançada, a doença também pode acometer os jovens. Ela provoca diminuição da resistência óssea, levando os ossos a um estado de fragilidade, no qual podem ocorrer fraturas após traumas mínimos ou até espontâneos", explica a reumatologista do Hospital Santa Catarina, Dra. Camille Figueiredo.
Um dos elementos fundamentais no metabolismo ósseo é o cálcio. "Todos os dias nosso organismo recebe esta substância por meio dos alimentos que ingerimos e a elimina pela urina. Se sair mais cálcio do que entrar, ou se não houver adequada absorção do cálcio pelo intestino, o organismo vai retirá-lo dos ossos para poder manter o nível adequado circulando no sangue", afirma a médica.
A osteoporose passa a preocupar principalmente quando ocorrem as fraturas, que comprometem a saúde especialmente dos idosos. "Entre as mais comuns estão as vertebrais, as de fêmur (osso único da coxa), de punho e úmero (osso do braço que vai do ombro ao cotovelo), que limitam ou dificultam a locomoção", destaca a reumatologista.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a osteoporose é a epidemia silenciosa do século por praticamente não apresentar sintomas, e atinge mais de 75 milhões de pessoas na Europa, Japão e EUA. A Sociedade Brasileira de Osteoporose estima, considerando o último censo do IBGE, que existam 5,5 milhões de brasileiros portadores da enfermidade.
Como diagnosticar?
Para diagnosticar a osteoporose é preciso que o médico faça uma análise clínica, laboratorial e com exames de imagem. "O especialista precisa levar em conta o histórico familiar; fazer a análise dos exames de sangue para verificar as substâncias responsáveis pelo metabolismo ósseo, como hormônios e vitaminas, além de exames que avaliem as condições gerais de saúde; pedir radiografias para verificar se não existem fraturas de coluna e solicitar um exame chamado densitometria óssea, que avalia a densidade mineral óssea", ressalta Dra. Camille.
Quais são os fatores de risco?
Não modificáveis
• Idade avançada
• Raça branca ou asiática;
• Histórico familiar de osteoporose ou fraturas de quadril;
• Baixa Estatura
Potencialmente modificáveis
• Menopausa precoce ou primeira menstruação tardia;
• Períodos de amenorréia (suspensão da menstruação) prolongada;
• Índice de massa corporal baixo;
• Pouca exposição solar;
• Existência de doenças que alterem o metabolismo ósseo, como endocrinopatias, doenças reumáticas crônicas, insuficiência renal, doenças hepáticas ou anorexia nervosa;
• Massa muscular pouco desenvolvida;
• Utilização de medicamentos que provocam diminuição da massa óssea, como corticosteróides, anticonvulsivantes e anticoagulantes, antidepressivos, ansiolíticos e/ou anti-hipertensivos;
• Estilo de vida inadequado, com dietas pobres em cálcio, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e consumo excessivo de cafeína.
Fique de olho e previna-se!
A quantidade de massa óssea acumulada na adolescência proporciona mais resistência a fraturas ao longo da vida. Por isso, é fundamental manter uma dieta equilibrada e rica em cálcio; evitar o sedentarismo; não fumar; não consumir bebidas alcoólicas e refrigerantes em excesso; expor-se ao sol regularmente para estimular a produção de vitamina D, que é responsável por estimular a absorção de cálcio, pelo corpo; e principalmente, investir em melhor qualidade de vida.
No caso das mulheres, ao atingir a menopausa, há a diminuição da produção de estrógeno e, secundariamente, de massa óssea. Quando não há contra-indicação ao seu uso, após criteriosa avaliação ginecológica, a reposição hormonal pode ser bastante eficaz, proteger contra doenças coronarianas e reduzir o risco de câncer uterino, além de ser uma das formas de interromper a perda de massa óssea e prevenir a osteoporose da pós-menopausa.