Desvende a doença que acomete mais de um milhão de brasileiros
Você sabia que o acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é uma das doenças que mais mata no Brasil? De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Neurologia, a cada cinco minutos uma pessoa é vítima de AVC, o que contabiliza cerca de 100 mil mortes ao ano.
A doença, que atinge 1,5 milhão de brasileiros, afeta o cérebro, responsável por coordenar todos os movimentos do corpo. O órgão precisa de oxigênio e dos demais nutrientes transportados pelo sangue para funcionar. "Quando um dos vasos responsáveis por conduzir o sangue ao cérebro se rompe, o sangue não circula. É o que chamamos de AVC hemorrágico. Agora, quando o vaso é obstruído por um coágulo que impede a circulação do sangue, ocorre o chamado derrame isquêmico, que é três vezes mais frequente", explica o neurologista do Hospital Santa Catarina, Dr. Maurício Hoshino.
Segundo o médico, os sintomas podem variar dependendo da região afetada, mas existem sinais que podem indicar que algo não está funcionando como deveria - a boca entorta, perda repentina da força muscular e da memória, formigamento em um lado do corpo e dificuldades para falar.
Um diagnóstico rápido e preciso aumenta as chances de evitar sequelas como dormência, dificuldade para pronunciar palavras ou comer e engolir e, ainda, paralisia parcial ou total. "Tempo é tudo para preservar o cérebro do ataque provocado por um AVC. As chances de reduzir as sequelas aumentam em até 30% se o paciente for socorrido adequadamente nas três primeiras horas", afirma o neurologista.
O tratamento é dividido em três estágios: preventivo, agudo e a reabilitação pós-acidente vascular cerebral. Na primeira fase, o especialista identifica e controla os fatores de risco. Depois disso, vem a etapa na qual o paciente já está no hospital e o médico se utiliza de todas as terapias para minimizar o derrame. "Nesse período, o papel das UTIs Neurológicas e os avanços na área de Neuroradiologia, Radiologia Intervencionista e Neurocirurgia são muito importantes", destaca.
Já a reabilitação, terceiro estágio do tratamento, ajuda o paciente a superar as dificuldades resultantes dos danos causados pela lesão. "Por conta desses processos é que se torna indispensável ter uma equipe multidisciplinar acompanhando o paciente. Somente com terapias associadas é que vamos conseguir bons resultados", ressalta Dr. Maurício.
Como acontece com qualquer doença vascular, não é possível prevenir um AVC. No entanto, cuidar da alimentação, fazer check-ups médicos periódicos e praticar exercícios físicos regularmente pode reduzir em até 60% a chance de se ter um derrame. "Para prevenir qualquer doença é essencial ter uma vida saudável", finaliza o médico.
Jovens também podem ser vítimas de derrame cerebral
Levantamento feito pelo Departamento de Saúde dos Estados Unidos aponta que em pouco mais de uma década, o número de internações por acidente vascular cerebral cresceu 51% entre homens de 15 a 34 anos e 17% entre as mulheres com a mesma faixa etária.
Segundo Dr. Maurício Hoshino, as pessoas ainda pensam que AVC é doença de idosos. "Cada vez mais jovens chegam ao hospital com perda de força nos membros, tonturas e outros sinais que antes só encontrávamos em pessoas de mais idade. O jovem corre os mesmos riscos se usar drogas, tiver uma alimentação ruim e com muito sal, consumir bebidas alcoólicas em excesso, for sedentário ou obeso", explica.
Veja quais são os fatores de risco para o AVC
• Hipertensão arterial;
• Diabetes;
• Colesterol alto;
• Tabagismo;
• Consumo exagerado de álcool;
• Histórico familiar;
• Obesidade;
• Sedentarismo;
• Estresse;
• Enxaqueca;
• Uso de pílulas anticoncepcionais;
• Aneurisma cerebral;
• Distúrbios de coagulação do sangue;
• Doenças genéticas;
• Doenças cardíacas.